Nilza Lima e o TOY

O EXEMPLO FALA MAIS ALTO

Nasci numa família simples.

Minha mãe, uma excelente dona de casa, costurava para os três filhos, o marido e para ela mesma. De manhã à noite fazia de nosso pequeno apartamento térreo da Rua Campos Sales, na Tijuca, um brinco, enquanto mal víamos meu pai de tanto que ele trabalhava.

Nossa maior diversão eram alguns domingos que passávamos com a minha avó Nair na Rua Pirassinunga, também na Tijuca. Vovó trabalhava a semana toda – era a única mulher funcionária da Cia. Sul América de Seguros – seu primeiro e único emprego. Boas lembranças tenho do casarão!

Eu era muito pequena e tudo era muito espaçoso, grande, quintal, tanque de pedra, um chuveiro enorme de água fria. Tudo era uma farra! Ao chegar no casarão, com todo o espaço à minha disposição, o que eu gostava mesmo era de juntar as poucas bonecas de pano, calçar os sapatos da vovó, apanhar a bolsa e “pegar o ônibus para a escola”. A “escola” era um barraco velhinho mas bem arrumado no fundo do quintal. Tinha um quadro negro, cavalete, giz, apagador… ali era o meu mundinho.

Enquanto vovó preparava uns quitutes para o almoço eu “ia para o trabalho”, já que todos ao meu redor tinham um trabalho e eu queria imitá-los. Cresci com esse exemplo: o trabalho gratifica.

Fiz o jardim de infância no Instituto de Educação, na Tijuca, e lá fiquei até o terceiro ano primário. Com a mudança de meus pais para a Zona Sul, terminei meus estudos num tradicional Colégio de Botafogo, o Colégio Jacobina.

Ainda havia um sonho bem no fundo do meu coração e eu tinha que realizá-lo. Fiz concurso para a Escola Normal Inácio Azevedo do Amaral e lá estudei até me formar professora!

Enquanto isso, meu pai, que era uma pessoa muito comunicativa e de muita garra, prosperava em seu trabalho. Numa firma de extintores de incêndio, foi convidado pelo dono a se tornar sócio da empresa. Chegou a vender e manter excelentes contatos com a Cia. Siderúrgica de Volta Redonda. Alargaram-se as fronteiras, época da exportação de carvão e minério Guza. Chegaram os japoneses e aí meu pai precisava aprender inglês imediatamente – era com ele que os japoneses queriam negociar.

Certa noite, meu pai chegou em casa com um professor de inglês para jantar com a família. Foi a primeira de inúmeras noites práticas depois de um dia de trabalho. O professor tentava se comunicar conosco em inglês durante o jantar e depois pedia licença para ajudar a tirar a mesa e até mesmo a lavar os pratos e guardá-los… tudo isso em inglês. Muitas vezes até preparava o café. Eu achava tudo isso muito fácil: era fácil ver, ouvir, repetir o que ele dizia, fazia sentido pra mim. Com o passar dos meses mamãe já se arriscava a oferecer alguma coisa em inglês para o professor. Meu pai cada vez mais feliz e seguro e eu continuava ali me exibindo mesmo, tirando proveito de tudo.

Os negócios melhoravam. Um grupo de ingleses procurou meu pai para abrir uma representação de luvas aqui no Brasil: a James North do Brasil.
Com essa representação as portas se abriram para os filhos. Claro que eu fui a primeira a aceitar o convite para passar um ano na Inglaterra. Tranquei a matrícula da Escola Normal e lá fui eu para Manchester buscando melhorar o inglês e me aperfeiçoar no ensino da língua inglesa para estrangeiros. Como eu gosto de desafios, foi uma experiência inesquecível e muito produtiva.

De volta ao Brasil, retomei o curso na Escola Normal e mal podia esperar para terminá-lo e poder entrar em sala de aula. Na verdade, não esperei mesmo. Com uma bagagem de dar inveja a muito professor formado e a certeza de estar no rumo certo para realizar o sonho de ser professora, o caminho foi fácil.

Formei pequenos grupos de 3 ou 4 alunos, faixa etária e escolaridade próximas (era um dos segredos) e coloquei em prática toda a vivência da infância e juventude, além das técnicas das aulas na Inglaterra com muita alegria e dedicação.

Finalmente formada, em 1968 fui convidada para trabalhar na Escola Americana, que ainda funcionava no Leblon, na Rua General Urquiza. Acompanhei a mudança da escola para a Estrada da Gávea, fui professora de turmas durante algum tempo. Aos poucos fui me interessando mais pelo departamento de “English as a second language”. Tudo parecia concorrer para o meu sonho e, melhor, uma nova perspectiva se abria à minha frente. Algo diferente e que não existia no mercado para brasileiros: um curso de inglês para crianças… que ousadia!

Busquei apoio, ofereci meu trabalho aos grandes cursos da época, escolas e nada! Pensei comigo mesma: “Sabe do que mais? Vou procurar um espaço próprio, os alunos eu já tenho.” Mostrei o meu projeto a uma grande amiga do Colégio Jacobina, também professora, educadora por excelência, Ângela Pougy Azevedo. Aprovada a idéia, saímos em campo para procurarmos um local. Um local para colocarmos em prática o nosso trabalho.

A casa do TOY, na Rua Visconde de Caravelas, 185 - Humaitá

O clube Gurilândia abriu-nos as portas. A princípio alugamos apenas uma sala, no semestre seguinte mais uma e no ano seguinte ainda outra, e continuamos a crescer, mas o clube não tinha como disponibilizar mais salas. Casas e mais casas foram visitadas. Não queríamos nem pensar em salas de Shoppings, pois onde faríamos nossas atividades de cozinha, jogos no pátio, banho de mangueira? Era preciso encontrar uma casa, um casarão como o da vovó Nair! A dificuldade aumentava porque os casarões apropriados eram localizados em áreas residenciais e a Prefeitura não poderia conceder alvará para a atividade escolar.

O tempo passou, mas não a vontade de dar continuidade ao projeto. Finalmente achamos a casa da Rua Visconde de Caravelas. Inicialmente até dividíamos as atividades: o curso de inglês e uma creche. Ângela sempre muito atenta e dedicada à parte pedagógica e eu, no princípio, ainda dava muitas aulas, mas a necessidade foi me distanciando para a parte administrativa.

No principio combinamos a nossa experiência com a franquia “Pink and Blue”, que nos possibilitou uma projeção mais rápida no mercado. Mas o conhecimento e a experiência profissional de Ângela, aliados à minha vivência na Escola Americana, principalmente no departamento: “English as a second language” nos deram bagagem suficiente para criarmos o nosso próprio método. Agora precisávamos de um nome.

Quem melhor do que as crianças para dar um nome ao que elas gostavam tanto de fazer? Desenhos, frases, como é que você acha que aprende inglês aqui? O que ouvíamos delas era: “É divertido. Eu gosto de tudo. Eu venho brincar de inglês. Eu desenho. Aqui a gente faz de conta. Essa brincadeira eu não faço em casa.”

Em resumo… será que aqui pode ser o TOY? O lugar onde brincando, brincando se aprende inglês. Eu quero dizer que não é apenas uma brincadeira, mas uma brincadeira significativa. Você corta para desenvolver a parte motora, você amassa a massa do biscoito para desenvolver a parte motora, você ouve uma musica para desenvolver a habilidade auditiva, você veda os olhos para desenvolver os sentidos. É assim que você e toda criança aprende a sua própria língua: brincando, experimentando, ouvindo, falando e fazendo de conta.

Crescemos e nossas crianças dos níveis iniciais – Nursery, Kinder – se tornaram pré-adolescentes e nós fomos acompanhando esse crescimento. A gramática, a leitura, a escrita e tudo isso foi se tornando mais sofisticado sem deixar de lado “something fun”. Logo vieram os primeiros resultados. Terminavam o Toy aos 13 e 14 anos, iam para outros cursos os quais nos ligavam surpresos com o excelente nível de inglês dos alunos. E muitos deles insistiam: “porque não dar continuidade? Faz mais um ano?” Até que escolhemos a Universidade de Cambridge para prepará-los para a prova do FCE (First Certificate in English) e obter assim o diploma de caráter internacional.

As barreiras foram muitas mas tudo que é planejado e feito com muito amor e dedicação dá certo. O importante é perseverar com entusiasmo, estudo, profissionalismo e o resultado está aqui. Alegria para nós pela missão cumprida e sucesso para eles na prova do FCE, com índice de aprovação superior a 90%.

Desde 1978 no mercado, hoje temos o orgulho de ver filhos de nossos ex-alunos aqui conosco. Olhar para trás e ver que nosso sonho se concretizou é uma benção. É preciso continuar caminhando, permanecer atualizado às novas ferramentas e tecnologias, aprimorando e mantendo vivo o ideal TOY.

Nilza Lima (Diretora-Geral)

© Curso TOY
TOY - Curso de Inglês para crianças a partir de 4 anos, adolescentes e adultos
Rua Visconde de Caravelas, 185 - Humaitá - Botafogo - Rio de Janeiro RJ - 21 2537-2261